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Relato do MarcosNi


"A primeira a gente nunca esquece."

Clichê, eu sei, mas os clichês tem um capacidade incrível de exprimir a verdade. E é atrás dessa verdade que eu sigo pedalando.

Após uma semana de muito calor, a última sexta feira de janeiro foi de muita água e uma temperatura aquém do agradável. Um dos últimos a chegar, encontrei meus sorridentes pares sob a marquise do Cine Odeon, protegidos da água que teimavam em cair e que, naquele instante, havia rareado o suficiente para ocuparmos juntos a "BiCinelândia". O trajeto, definido por unanimidade (de abstenções), foi atravessar Glória-Catete-Flamengo e seguir até a ponta da Urca onde poderíamos comer e beber alguma coisa enquanto trocassemos nossas impressões sobre a vida, botássemos a conversa em dia (fazia quase um mês que alguns não se viam, entre outros, fazia meses) ou trocassemos figurinhas sobre bicicletas, acessórios, cicloturismo, etc.

A chuva, que fraquejava quando saímos da Praça, engrossou tanto que no meio do caminho, ainda no Catete, nos refugiamos num posto de gasolina. Seguindo em frente, algumas câmaras furadas e, na Praia de Botafogo, optamos por seguir pela ciclovia, inaugurando, por assim dizer, a tão falada ciclovia da Urca.

De volta às ruas, adentrando o bairro mais simpático da Zona Sul, ocupamos onde não seria possível compartilhar a via em segurança e, apesar de algumas buzinadas, a Urca, que já estava um tanto engarrafada, seguiu a noite sem maiores problemas.

Pastéis, empadas, cerveja, alguma cachaça e até café expresso deram o tom da nossa longa parada que acabou virando ponto final da Bicicletada. Tirando nosso visitante argentino, ninguém saiu da Urca sozinho. A massa se desfez em salutares aglomerados de ciclistas igualmente alegres e molhados que voltavam pra casa depois de uma pedalada em ótima companhia.

O começo de ano é sempre um período de transformação, de adaptação à uma nova etapa. É claro que a mudança de um único algarismo na data gravada no canto da folha ou uma agenda nova não significam, por si só, uma alteração na sua vida, mas o potencial de transformação é irrefutável. A trajetória elipsoidal que a Terra realizará em torno do astro rei será idêntica à última, mas a forma como viveremos esses 31.6 milhões de segundos não precisa ser necessariamente a mesma do último ano.

O ciclista urbano, aquele desbrava a cidade sobre 2 rodas, rápido o suficiente para vivê-la ao máximo e lento o suficiente para que não lhe escape nada, só tem como limite a própria vontade. A cidade não é mais que uma complexa rede de possibilidades e o ENCONTRO é inevitável. A vida se faz nesse encontro, no cruzamento entre o eu e o outro, nas arestas, no corpo.

E que grande encontro é a Bicicletada!! Encontro que estampa um sorriso no rosto, deixa água na boca e instaura no peito uma vontade enorme de repetir a dose toda sexta do mês, no mínimo.

E se a vida é essa sucessão de encontros, a Massa Crítica é, sem sombra de dúvidas, um ser vivente. Pulsante, apaixonado, livre e belo.

É... O ano começou muito bem...


Encontro vocês na esquina.

Amplexos amorosamente ciclísticos,
MarcosNi!


SE LIGUE: as bicicletas fixas representaram cerca de 20% do total de bicicletas na Massa.

Contribuíram para esta página: rodrigo .
Última modificação da página em Terça-feira 31 de Janeiro, 2012 16:43:25 BRST por rodrigo.